quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Presidente Dilma Rousseff em 29 de fevereiro de 2012 e o longínquo 13 de maio de 1888

.


.
.


CACHORRADA

Passeando de carrão
num trabalho rotineiro
agora foi fazer parte
da rotina do coveiro.

Desconheço seu jantar.
Um miojo, arroz com ovo
feijão com carne seca
chuchu com camarão
saladinha de feijão fradinho
com frango desfiado...?

Escovou os dentes?
Abraçou o cachorro?
Cheirou a esposa?
Rezou o Pai e Nosso?

Bom dia!
Teve bons sonho?
Espero que tenha se protegido
da novela Fina Estampa
prejudicial ao sagrado sono reparador
num Clô irreal
porque  somente você 
e algumas outras poucas
categorias profissionais
submetesse a tanto desrespeito
pelo bendito pão da sobrevivência
ou pela trilha perfumada da vocação.

Café da manhã?
Espero seja o aromático Pilão.
Leite com pão fresco?
Mortadela defumada?
Queijo prato da Sadia?
Pão com requeijão?

Vida anônima, morte anônima.
Passeando de carrão
num trabalho rotineiro
agora foi fazer parte
da rotina do coveiro.

Não espere da cidade
uma lágrima furtiva
ou oração de travesseiro.
Até quem pensei amigo
defensor de sua causa
por pura conveniência
já não se mostra guerreiro.
.
.



.Aqui
.
.
.
.
Aqui
.
.
.
.
.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Prezado leitor, a rima de "TROPA DE ELITE I" é antiga, mas o coração é novinho e pertence a excluidos, discriminados... Meus mendigos (humanos aparentemente sem histórias de vida). Meus coveiros. Meus garis anônimos...

.
.
.
Rio de Janeiro

Greve de policiais: no Bope, o castigo vem a cavalo

Policiais que se recusaram a cumprir ordens no início da greve são afastados da unidade de elite da PM do Rio. Onze foram transferidos esta semana

Leslie Leitão, do Rio de Janeiro

Na noite de quinta-feira, 9 de fevereiro, enquanto cerca de cinco mil grevistas, entre policiais militares, civis e bombeiros se reuniam na Cinelândia para decretar a paralisação conjunta, um outro manifesto acontecia a alguns quilômetros dali, mais precisamente na sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope), a tropa de elite da polícia carioca, em Laranjeiras. A ordem do chefe do Estado Maior, Alberto Pinheiro Neto, era para que o comandante da unidade, Wilman René Alonso, enviasse a equipe de plantão para o local da manifestação. A ordem, encarada pela equipe Bravo como uma afronta, foi desobedecida. O castigo veio a cavalo. Por ordem de Pinheiro Neto, desde a última terça-feira, o grupo considerado rebelde começou a ser expurgado do batalhão. Um a um, eles estão sendo punidos com transferências para batalhões comuns, a maioria deles na Baixada Fluminense, São Gonçalo e Itaboraí. Até esta quinta-feira 11 já tinham sido realocados compulsoriamente.

O Boletim Interno número 31, de 14 de fevereiro, traz na página 55 a lista dos transferidos – entre outras transferências rotineiras da PM. A diferença é que, por ser uma unidade de elite, com treinamento especial, raramente há mudanças em massa no batalhão.

A lista de punidos é encabeçada pelo subtenente Jayme Rosa Filho, oficial de operações, e pelo sargento mais antigo, Milton Ramos Azevedo, conhecido no Bope como Bambam. Este, por sinal, tornou-se uma espécie de lenda entre os ‘caveiras’. Participou de praticamente todas as grandes ações protagonizadas pelos homens de preto, inclusive das cinematográficas ocupações da Vila Cruzeiro, em 2010, quando as câmeras flagraram centenas de bandidos correndo do Bope, e da Rocinha, ano passado.

“Queríamos apenas saber qual o motivo dessa ordem, pois sabíamos que estaríamos afrontando uma multidão, somente pelo fato de estarmos ali por perto. Era óbvio que isso iria acirrar os ânimos e poderia gerar uma confusão sem precedentes. Então surgiu o questionamento ao comandante”, explica um dos policiais.

O fato é que a equipe Bravo acabou se recusando a sair do batalhão sem saber exatamente do que se tratava a missão. A decisão de não combater os grevistas já havia sido avisada ao comandante numa reunião na semana anterior, três dias antes do início da greve. E o próprio subcomandante do Bope, major André Batista (oficial que inspirou o personagem Mathias, interpretado pelo André Ramiro, no filme ‘Tropa de Elite’) prometera diante da tropa, formada no pátio da unidade, que entregaria o cargo se o comandante-geral, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, mandasse o Bope para qualquer ocorrência que não fossem aquelas para os quais assalto com reféns, fechamento de vias, arrastões ou ataque de facções do tráfico.

“Não era uma adesão à greve nem um ato de insubordinação. Mas não iríamos para uma praça no centro da cidade enfrentar nossos colegas que reivindicavam melhores condições de salário. A equipe Bravo demorou a formar (reunir-se para partir em missão), mas depois acabou indo para o Quartel General da PM, ficou cinco minutos lá dentro e voltou”, explica outro oficial do Bope.

Com as transferências, o clima na unidade mais bem preparada do Rio de Janeiro azedou. Até o segurança pessoal do comandante Wilman René, cabo Marcelo Luiz Lino Moreira, foi mandado para outra unidade. Mesmo sem estar de serviço, naquela noite ele vestiu a farda preta e se juntou aos colegas que buscavam uma explicação do comando. A crise pode se agravar. Os praças do batalhão se reuniram e têm tentado convencer um grupo maior a entregar o cargo e pedir a exoneração do Bope caso as punições sejam levadas adiante. 
.
.
Leia na fonte para conhecer os nomes dos heróis, aqui


..


.
.
TROPA DE ELITE I 

.
Respira, vive, floresce verdejante, forte, saudável, na amplidão de cada batalhão.
Resoluta, sagaz, inesperada, patrulha sem destino e tristemente fere, mata, morre...
no vilipêndio, nas ausências do Estado, no despudor que se apossou da nação.


Floresce, vive, árvore verdejante, bela, altaneira, no universo de cada batalhão.
Salva, socorre, apazigua, advoga, faz parto, se doa, se despe, desmaia e acorda no bico
tutelado por expectativas e injurias do contribuinte, também solitário, sob punição.


Frondosa em flores e frutos, no prumo, plena, na eventual aridez de algum batalhão.
E teima, e desafia, em circunstância de final surpreendente ou rotineiro, esperado...
nas imensas incertezas e exigências que abrigam esse duro trabalho, ônus da vocação.


Verdejante, impoluta protetora, mãe carinhosa, no espaço físico de cada batalhão.
Fuzilado, a família desaba. – Direitos humanos faz questão de ignorar o endereço
e a fotografia no batalhão, ao lado de outros que partiram, lamenta o preço da missão.


Árvore da vida, das dignidades, da honradez, do labor, na amplidão de cada batalhão.
No improviso, quase sem treinamento, salário aviltante e outros tantos tormentos...
Heróis, soldados que guardam o tesouro, não é prata, dinheiro, nem ouro; é amor, união.
.
.
Se quiser ler na fonte, aqui
.
.
.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Muito obrigada a todos os amigos que partiram sem a honra de salários dignos. Me sinto podre, fedorenta, uma pereba expelindo pus. Não tenho nenhum orgulho em ter nascido no Brasil. ***Espero que um dia mude.

.

.
...
.
Quem se julga vencedor
lantejoulas da vitória
muita paz e alegrias
que faça da coroa de rei, de rainha
perfume de sapiência
porque não tardam outros dias
em que o pão gritará sua falta
e o feijão já findo e ralo
rogará por complemento
em tempo árido, sem folia
sem Mentiras Premiadas
sem festas e alegorias
pele, carne e sofrimento
e que cada um de nós
que agora quer carnaval
sem rima e filosofia
se veja e se vista na farda quente
sem espaço pra utopia.
com um salário mensal
de estresse e agonia.


Que a polícia me socorra
que o bombeiro me apague
porque a dor dos irmão
por uma PEC 300
ou qualquer equivalente
que seja digno e embriague
terá enquanto eu for viva
a mão velha que a afague.


.

.
.
.
.
.
.
.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Seja muito bem vinda! Tenho certeza que virá em breve. ***E que a democracia permaneça como elo dos povos na busca por soluções para o planeta que sofre e chora. Infelizmente nem todos os governos conseguem enxergar e se prendem a tolices

.
.
Yoani Sanchez

Seja bem vinda!
Fique a vontade, mas não permita que a enganem
com a velha e protocolar lorota: a casa é sua...!
Não é mesmo.

Pulsa e delira no coração deste belo país corrupto
e dança no mar sacana de cidade analfabeta
de futuro impreciso e fé laboriosa, trabalhadeira
escrava dos costumes e jeitinhos
onde tudo acaba em festa, festinha ou festão
num planeta que agoniza, bastante cansado e se enterra
enquanto agarro meu celular última geração
e cantarolo o meme invasor consentido
de Michel Teló, brevemente subsitituido
por qualquer som pior ou melhor, ininterrupto.

Pulsa e delira no coração deste país corrupto
e beba no Rio de Janeiro o solo escaldante em pés descalços
da minha Avenida Perimetral que anseia te abraçar.
Sou mãe dos destroços e oferto minha avenida alada,
asas direita e esquerda para que seu coração sorria.
Voaremos, eu e minha Perimetral liberando espaço físico
para as Mentiras Premiadas de futuro impreciso
e o mar, convidado pelo som envolvente do batuque
que anuncia um ‘mundo novo’ é penetra e quer bailar
deseducado, arruaceiro, embriagado, imperialista e abrupto.

Pulsa e delira no coração deste país corrupto
e dança no mar sacana de cidade analfabeta
de futuro impreciso e fé laboriosa, trabalhadeira
escrava dos costumes e jeitinhos, vem conhecer Vitinho 
e em seu rosto, na sua pele ferida veja a trilha que é caminho
das velhas feras e suas bagagens de rancor diante do diferente.
Em Cuba, como aqui no Brasil, somos peças de descarte
em busca das promessas do evangelho estilizado
sob formas diversas ligadas a necessidades pessoais que brilham
na palavra cidadania e não nas palavras 'companheiro' e 'adepto' .

.
.
.
.

.
.