
Tempos difícies no país da corrupção
Antes de mais nada, um trecho de uma das gravações feitas pela Polícia Federal na “Operação Voucher”, onde Humberto Silva Gomes, sócio da Empresa Barbalho Reis, conversa com um interlocutor: “Quando é dinheiro público, não pesa no seu bolso. Aí você joga pro alto mesmo, até porque, se você não jogar, você vai perder logo de cara porque todo mundo vai jogar. Criou essa ideia aqui: ‘Ah, é pro governo, joga o valor pra três, tudo vezes três (…) Superfaturamento sempre existe”.
Se fosse o pensamento de uma única pessoa, o comentário acima não seria tão trágico. Poderíamos até incluí-lo no “Manual dos ladrões”, numa parte onde um ladrão justifica sua atuação destacando que o dinheiro público não é de ninguém e por isso é justo ser roubado de múltiplas formas.
O grande problema é que a “filosofia” acima não é exceção e, sim, regra no meio político. Depois do famoso “rouba, mas faz”, onde a roubalheira era justificada pela competência dos ladrões, hoje impera o “rouba e só finge que faz”, pois rouba-se tanto que as obras ficam mais caras, e a população deixa de receber vários benefícios.
Parece que os ladrões da política já não ficam restritos à gorjeta, aos famosos 10%. Isso é coisa do passado e hoje é mais prático e rentável multiplicar por dois ou três o valor de um contrato, pois, além do “Ali Babá”, também precisam ser beneficiados os “quarenta ladrões”. Dessa forma, 10% não são suficientes e assim rouba-se descaradamente em volumes cada vez maiores.
A antiga saúva, que deveria ser eliminada, está mais forte e gorda do que nunca e causa estragos cada vez maiores por onde passa.
Os tempos são difíceis pois, além do nosso dinheiro, ainda estão roubando toda a nossa esperança. Um ex-presidente manda a sua indicada pegar leve e deixar de lado essa tal faxina para acabar com a corrupção.
Um prefeito, na maior cara de pau, vai a uma emissora de TV afirmar que os promotores fizeram lambança e prejudicaram a cidade, dando a entender que quem prejudica não é aquele que chefiou uma quadrilha que fraudou licitações e, sim, aqueles que tiveram a coragem de investigar e acabaram confirmando as fraudes.
Infelizmente, Delúbio Soares, o príncipe do Mensalão, acertou quando disse que não viraria nada e em pouco tempo tudo seria piada de salão.
A realidade é que está tudo dominado, a corrupção tomou conta do Executivo, do Legislativo e também do Judiciário. A desfaçatez e a ousadia dos ladrões não têm limites, enquanto, à margem, uma minoria sofre as maiores perseguições por lutarem pela Justiça denunciando e questionando o sistema reinante de corrupção.
Em Bebedouro e no Brasil inteiro, prevalece a lógica de que a política se transformou de vez no caminho dos interesses pessoais onde o que importa é ganhar muito, pois o dinheiro público não tem dono, é de quem pegar primeiro, é dos mais espertos, está lá para ser roubado, pois aqueles que, em tese, seriam os donos, não ligam para nada, não cuidam do seu dinheiro, ficam calados, cruzam os braços, fecham os olhos, se acovardam e pedem para serem enganados, pois a todo momento se omitem, não participam, não questionam e aceitam que as coisas são assim mesmo e que na política só tem ladrão. Talvez por isso as pessoas honestas têm tanta dificuldade em se eleger.
É isso, vamos parar de falar e trabalhar. Afinal de contas, se não trabalharmos para pagar cada vez mais impostos, como é que vamos manter os milhares de ladrões que vivem às nossas custas?
.
.
.
.


0 comentários:
Postar um comentário